Baixada e a Produção Cultural
genesis | mai 15, 2010 | Comentários 1
Com seus 3.5 milhões de habitantes a Baixada Fluminense, hoje dividida entre os municÃpios de Japeri, Paracambi, Queimados, Nova Iguaçu, Mesquita, Nilópolis, Belford Roxo, São João de Meriti, Duque de Caxias, Magé e Guapemirim, tem um processo de ocupação bastante diferenciado das demais regiões metropolitanas das capitais dos Estados Brasileiros. O Rio de Janeiro, por ter sido capital desde a colônia sempre somou um grande número e cada vez mais crescente de equipamentos culturais, como museus, salas de teatro, de música, centros esportivos, centros de convenções e demais Órgãos e Instituições que dedicam-se as atividades ligadas a cultura.
A periferia sempre carente destes equipamentos e atividades culturais, ficou relegada ao esquecimento e a exclusão das decisões, formando gerações alienadas quanto ao avanço do pensamento moderno, e as mudanças de caráter cultural que processava no mundo contemporâneo. A televisão e o rádio foram e têm sido os veÃculos condutores de alguma forma dos processos de mudança, o que permitiu atitudes comportamentais em relação ao mundo intelectual.
Chegamos ao inÃcio do século XXI na Baixada com uma defasagem de equipamentos culturais que só pode ser explicado a luz dos processos de discriminação e da exclusão social.
A Baixada conta hoje com salas de teatro nos municÃpios de São João de Meriti (SESC), Queimados (Prefeitura), Duque de Caxias (do SESI e Câmara Municipal) Nova Iguaçu (Prefeitura), Nilópolis (Prefeitura), Nova Iguaçu (SESC). Com exceção das salas do SESC e da Prefeitura de Queimados as demais são bastante tÃmidas e não estão preparadas para grandes espetáculos.
Centros Culturais ou espaços para atividades culturais diversas, aparecem nos municÃpios de São João de Meriti, Nilópolis, N. Iguaçu, Belford Roxo e Duque de Caxias, o que permitem a estes municÃpios, dependendo dos projetos desenvolvidos em cada Secretaria de Cultura, ocupá-los com atividades culturais.
Com relação às artes plásticas somente o SESC de Nova Iguaçu tem um espaço dedicado permanentemente à exposição. O artista plástico na Baixada expõe suas obras em salões adaptados, em restaurantes e churrascarias, nos Centros Culturais, que não possuem iluminação suficiente, segurança para as obras e tudo o necessário para a valorização da obra de arte.
A preservação da memória através de centros de referência ou museu, só existe a iniciativa do IPAHB em São João de Meriti, que ainda é bastante pequeno e não possui um acervo significativo.
Quanto a música somente os municÃpios de São João de Meriti e Nilópolis possuem Escola mantida pelo poder público, com bastante carência e falta de espaço adequado para o aprendizado na diversidade dos instrumentos.
A produção artesanal é significativa, no entanto, não há iniciativas públicas ou privadas, com cooperativas ou galpões do artesão, organização e venda da produção. Não há um artesanato tÃpico e o que se produz é para consumo imediato que é levado para as feiras e são vendidos na rua junto do mercado livre e atravessado pelos camelôs.
A produção editorial entre poetas, escritores e intelectuais diversos é muito pequena frente ao universo populacional. Não há dados precisos, podemos afirmar sem muita margem de erro que não se produz por ano mais do que 06 tÃtulos de obra na Baixada. Acreditamos até, que a produção existe, porém, pela falta de recursos estas obras não são publicadas.
As instituições culturais que estão ligadas ou não ao poder público que merecem destaque estão o IPAHB (trabalha as questões de memória e patrimônio histórico), a Casa da Cultura (trabalha com as artes em geral), o INCAPRA (trabalha com comunidade Afro), a A.M.C (trabalha Compositores da Baixada), todos de SJMeriti. Em Nilópolis encontramos o Alma Barroca (trabalha com as artes em geral). Em Nova Iguaçu destacamos o Onda Verde (trabalha com ecologia e cultura em geral). Em Queimados o Projeto de Jovens e Adolescentes (Cultura e Educação). Em Duque de Caxias a Associação dos Artistas Plásticos, Associação das Folias de Reis, O Cine Clube Mate com Angu e o Instituto Histórico da Câmara Municipal de Duque de Caxias.
Constata-se que são muitas instituições que anonimamente vem ocupando os espaços que deveriam ser ocupados pelo Poder Público. Na realidade iniciativas particulares ou de grupos produzem ações culturais de qualidade, no vácuo deixado pelos agentes públicos.
As questões culturais da Baixada Fluminense sofrem dos mesmos males que atormentam a cultura brasileira, entre os muitos males quero destacar os que eu considero os mais pertinentes. Primeiramente os orçamentos municipais para a cultura são medÃocres e giram em torno de 0.5 a 0.7 %, consumidos basicamente com folha de pessoal. Não há dinheiro para investimentos fÃsicos e projetos culturais.
Outra questão de grande relevância é o gerenciamento da cultura. Há municÃpios que o gestor é fruto de acordos polÃticos e a pasta é entregue a cidadãos sem nenhuma experiência e conhecimento do universo cultural. Soma-se ainda, a falta de formação intelectual e acadêmica, credenciamentos necessários para uma boa gestão, isto tudo vem dificultando o desenvolvimento de projetos. Esses fatores geram a falta de continuidade, provocando a obstrução das relações interpessoais com os agentes culturais.
Desta forma podemos observar que há municÃpios que avançam quando se tem como gestor indivÃduos com formação e compreensão das áreas culturais e retrocede quando a escolha é mal feita e quem perde é o povo, não só do municÃpio mas a Baixada como um todo.
Um fator que também incomoda no desenvolvimento das atividades culturais é a improvisação. Não conheço hoje dentro do universo cultural da Baixada, municÃpios que têm projetos de médio e longo prazo. As ações são invarialvemente voltadas para o imediatismo e para polÃtica de eventos, ou quando muito, projetos pontuais. Um plano de Cultura importaria a organização dentro do municÃpio de infra-estrutura fÃsica, material e humana capaz de suportar a demanda cultural de qualidade, operacionalidade e resultado transformador.
Colunista – Genesis Torres

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Fico feliz de saber que a Baixada Fluminense está crescendo!
Cabe nos organizadores de eventos e produtores culturais, pensar mais na baixada fluminense.